COMO FALAR COM SEU FILHO ADOLESCENTE

    Falar com filhos adolescentes Adolescentes não é fácil, invariavelmente os limites impostos pelos pais à rotina de festas, amigos, estudos, computador , gera enormes conflitos.

   A boa notícia é que isto é bom. Um crescente corpo de pesquisa sugere que a forma como as divergências são tratadas em casa, contribui para a saúde mental dos adolescentes e os prepara para gerir conflitos na vida adulta.

   Observando adolescentes enquanto discutiam, especialistas categorizaram 4 estilos de enfrentamento: atacar, fugir, concordar ou resolver o problema.

    Seguindo estes adolescentes ao longo de alguns anos, concluiu-se que os que tomavam o caminho de atacar ou fugir, eram os mais susceptíveis de se tornarem deprimidos, ansiosos ou delinquentes. Dentre aqueles que eram bonzinhos e sempre concordavam com os pais, observou-se a presença de altos índices de transtornos de humor.

    Além disso, adolescentes que não aprendem a resolver os problemas em casa muitas vezes têm problemas semelhantes em suas amizades e vida amorosa. Em contraste, os adolescentes que usam a solução de problemas para resolver disputas com seus pais apresentam um quadro muito diferente. Eles tendem a apreciar a saúde psicológica das relações e são mais felizes aonde quer que estejam.

   Porém como ensinar a solução negociada dos problemas, quando muitos pais não sabem como fazer isto? Um conflito construtivo entre pais e adolescente depende da disponibilidade de ambas as partes verem além da sua própria perspectiva.

     Por sorte a capacidade intelectual para considerar múltiplas perspectivas se desenvolve na adolescência. Enquanto as crianças mais jovens não têm a capacidade neurológica para compreender plenamente o ponto de vista de outra pessoa, na adolescência há o desenvolvimento rápido nas partes do cérebro associadas com o raciocínio abstrato .

     Temos que considerar também que os conflitos surgem como erupções de um vulcão e neste momento, mesmo para os adultos , é muito difícil tomar a perspectiva de outra pessoa. Pais, por exemplo, tendem, a exigir submissão e proibir radicalmente condutas perigosas, perdendo a oportunidade de uma interação mais produtiva.

     Porém nada impede que, num segundo momento, quando os ânimos arrefecerem, seja retomada a discussão e seja feito um real esforço para entender, porque o adolescente queria empreender uma ação tão perigosa , ao mesmo tempo em se explicita o medo dos pais de perdê-lo e sua obrigação de protegê-lo dos perigos.

     Nenhum pai ou adolescente pode, ou deve, transformar cada disputa em uma cuidadosa consideração de perspectivas opostas. Ainda assim, o saldo da pesquisa sugere que as divergências oferecem a oportunidade de ajudar os jovens a compreender melhor a si mesmo e aos outros e, ajudam a construir neles a habilidade de encontrar espaço para a civilidade no meio da discórdia.